Cynthia Rosenburg, editora-executiva de Época NEGÓCIOS, e a repórter Aline Ribeiro discutem nesse espaço sustentabilidade e empresas.
 
 
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Quer conhecer a Amazônia?



Sempre quis conhecer a Amazônia, mas a idéia de passar uma temporada em algum hotel de selva nunca me agradou muito. Mais do que simplesmente colocar os pés na floresta, eu queria entender como as pessoas vivem ali. Em janeiro de 2006, embarquei numa viagem com esse propósito. Passei nove dias num barco (esse aí da foto) viajando pelos rios Tapajós e Arapiuns, no Pará, como participante do Projeto Bagagem.

O Bagagem é um projeto de promoção do turismo comunitário. Funciona como uma espécie de agência de viagem social, levando grupos de turistas para conhecer regiões lindíssimas do Brasil ao mesmo tempo em que contribui para o desenvolvimento de pequenas comunidades. É um turismo diferente, com atividades e passeios organizados pela população local. A idéia é aproveitar a natureza e interagir com os moradores e com os outros “bagageiros” – gente vinda de todos os cantos do Brasil e do mundo.

O que eu fiz na Amazônia? Nadei no Tapajós (acredite, o rio tem algumas das praias mais maravilhosas do país), conheci uma sumaúma de 500 anos (a árvore é o ponto alto de uma trilha de mais de cinco horas floresta adentro, vale o suor) e aprendi a tecer com palha de tucumã, só para citar algumas coisas. E virei uma fã entusiasmada do Bagagem, daquelas que recomendam a viagem a qualquer um que se interesse pela Amazônia.

Pois bem: a próxima expedição do Bagagem pelo Pará começa em 26 de julho e ainda há vagas. Veja
no site do projeto como participar.
(Cynthia Rosenburg)



Mais sobre o Projeto Bagagem

Cecília Zanotti é uma das fundadoras do Bagagem. Conversei com ela sobre o projeto:

>>> Como surgiu a idéia de criar o Bagagem?
Surgiu a partir da experiência profissional em ONGs de duas amigas de faculdade – eu e a Mônica Barroso. Queríamos criar uma ação que possibilitasse a pessoas de qualquer área de atuação conhecer de perto iniciativas que estão tendo sucesso em construir um mundo melhor. Nosso sentimento era de que todo brasileiro tinha que conhecer esses projetos. Ao mesmo tempo, tínhamos o desejo de que essa ação se tornasse uma fonte de renda para as comunidades – e também que o viajante pudesse, ao conviver com aquelas pessoas, dar um mergulho na sua própria identidade.

>>> Que tipo de transformação as viagens promovem nas comunidades?
A renda gerada com as viagens é destinada a projetos comunitários decididos em assembléia. Nas comunidades da Amazônia, já foi usada para terminar um galpão comunitário ou pagar o transporte para parteiras que participavam encontros e cursos, por exemplo. Na Bahia, é usada para financiar cursos de inglês, intercâmbio de pessoas da comunidade para outros projetos no Brasil, participação em eventos de turismo, estruturação de pousadas domiciliares. Mas há também outro tipo de transformação. Levar pessoas do mundo todo interessadas em conhecer o modo de vida daquelas comunidades é uma forma de reconhecimento, inclusive econômico, do valor daquele lugar.

>>> Quais os pontos altos de cada roteiro do Bagagem?
Todos os roteiros são elaborados em parceria com uma ONG local. No roteiro Amazônia Ribeirinha, em parceria com o Projeto Saúde e Alegria, o ponto alto é aprender sobre a organização comunitária de comunidades ribeirinhas num lugar fascinante que é a região dos rios Tapajós e Arapiuns. Nas Trilhas Griôs, na Chapada Diamantina, em parceria com o Grãos de Luz e Griô, o ponto alto é conviver com a rica cultura oral de mestres erveiras, parteiras, garimpeiros e sanfoneiros, conduzidos por jovens participantes da ONG. No roteiro Gurupá Terra das Águas, a atração é conhecer a história de luta e sucesso dos trabalhadores rurais, bem como as agroflorestas, o manejo sustentável do açaí e do camarão de água doce, a extração tradicional do óleo da andiroba e a primeira reserva de desenvolvimento sustentável federal do país.


(Cynthia Rosenburg)

27/06/2008
O vilão da vez


A produção de um bife usa água suficiente para suprir as necessidades diárias de dez pessoas

Para que um bife chegue a sua mesa, são necessários, segundo especialistas, 1.500 litros de água - conta que envolve todo o processo de produção da carne. A quantidade é suficiente para suprir as necessidades diárias de dez pessoas, de acordo com a Organização das Nações Unidas. As ONGs mais radicais ainda atrelam à pecuária desastres como o desmatamento da Amazônia e o uso de trabalho escravo. Verdade ou não, os impactos negativos sobre o setor têm feito com que as maiores redes varejistas do país e frigoríficos se mexam para apagar o incêndio.

O Grupo Pão de Açúcar afirma treinar fazendeiros para chegar à receita do bife ambientalmente correto. O concorrente Carrefour diz que, desde 1999, adota critérios de responsabilidade social ao contratar os fornecedores. Já o frigorífico JBS Friboi lançou uma linha-piloto de carne orgânica, que hoje representa 3% da produção do grupo. Isso só para citar alguns dos inúmeros exemplos.

As ações, diz o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), ainda são insuficientes. Apesar de as grandes redes e frigoríficos terem enxergado a necessidade de mudar os processos de produção, ainda não disponibilizam a carne “sustentável” para todos os tipos de consumidor. Mais que isso: segundo o Idec, elas sequer conseguem comprovar como evitam, por exemplo, o trabalho escravo e o desmatamento da Amazônia. Vale ficar de olho.

(Aline Ribeiro)

24/06/2008
“Estou impaciente com as empresas”

Georg Kell é diretor do
Pacto Global, a iniciativa da ONU voltada para a promoção da responsabildade sócio-ambiental das empresas. O Pacto Global nasceu em 2000, com 47 signatários, e tem hoje mais de 5 mil organizações participantes, mais da metade em países emergentes.

Quando fui conversar com Kell, há algumas semanas, em São Paulo, esperava que fosse elogiar o setor privado. Não foi o que aconteceu.

A frase no título deste post é dele. Em tom de desabafo, Kell disse que anda frustrado com empresas que falam muito sobre sustentabilidade, mas fazem pouco. Alguns trechos da entrevista:

Por que o senhor diz que está “impaciente” com as empresas?Quando falamos em responsabilidade corporativa, é possível ver que houve avanços importantes nos últimos dez anos. O problema é que ainda não fomos capazez de entrar com profundidade na estratégia das empresas. Há alguns executivos aqui e acolá dispostos a promover mudanças, mas ainda há muito a fazer. Por exemplo: executivos que coordenam operações gigantescas em multinacionais ainda não têm conhecimento sobre as questões ambientais ou sociais que afetam seus negócios. Isso vale para 60% das empresas que fazem parte do Pacto Global.

Em que áreas as companhias demoram mais para avançar?
O combate à corrupção é uma das áreas de progresso mais lento. Infelizmente ainda se trata de algo presente no dia-a-dia dos negócios. O aspecto do cuidado com o meio ambiente também foi difícil durante algum tempo, mas hoje em dia mais e mais empresas percebem que economizar água e energia, ou reduzir a geração de lixo, ajuda a reduzir os custos. Além disso, o cuidado ambiental é mais fácil de gerenciar do que questões relacionadas ao comportamento da sociedade, como a corrupção ou os direitos humanos. Esses outros aspectos dependem muito do governo e de uma transformação mais sistêmica na sociedade.

Quais os setores campeões da responsabilidade sócio-ambiental? Quais os mais problemáticos?
As indústrias intensivas no uso de recursos naturais foram as primeiras a se engajar, porque muitas erraram no passado e pagaram caro por isso. Mas hoje não importa tanto se a empresa é do setor de petróleo, de alta tecnologia ou de qualquer outro. O que importa, sim, é quão integrada ela está no mercado global. Quanto mais espalhada estiver mundo afora, mais alerta ficará para os aspectos ambientais e sociais que podem influenciar a sua atuação, para o bem e para o mal.

As empresas que se dizem preocupadas com a responsabilidade sócio-ambiental falam de um universo de assuntos - do combate ao trabalho infantil à mudança climática. Qual deve ser a prioridade?
Nos últimos dez anos, assistimos diferentes ondas de prioridades no movimento da responsabilidade corporativa. Cada nova onda, porém, não invalida a anterior. Se uma empresa tem uma definição abrangente do que é ser responsável, deve ser capaz de absorver as novas expectativas da sociedade. Nesse caso, ela saberá que a mudança climática é o próximo grande desafio que teremos de enfrentar – e que essa será uma onda maior que as anteriores. O aquecimento global será o tema que unirá todos os outros abordados pelas empresas até aqui, porque a mudança climática afetará todos eles.

Qual o futuro do movimento da responsabilidade corporativa?
Os últimos 25 anos nos deram a oportunidade de criar relações entre os países baseadas no comércio, no investimento e na troca de idéias. Essas relações globais se baseiam num movimento global multilateral. As empresas deveriam se preocupar se essa integração global se dá de forma justa. Ela deve ocorrer de maneira suave, voltada não somente para a geração de lucro no curto prazo, mas em princípios universais, como aqueles defendidos pelo Pacto Global. A responsabilidade corporativa pode ser um denominador comum entre os países, capaz de criar um mercado global ético.

Que aspectos da globalização o senhor considera preocupantes?
Ando preocupado com o populismo e com o protecionismo que ganha força em alguns lugares do globo. Eles são os inimigos da responsabilidade empresarial, porque ameaçam a criação desse mercado global ético. Se os países ricos criarem barreiras contra o crescimento dos países emergentes, veremos um enorme retrocesso na história, com o surgimento de tensões sociais, e será cada vez mais difícil melhorar as condições das pessoas ao redor do mundo.

Qual será o papel dos países dos BRIC nesse contexto?Sou um entusiasta dos BRIC, porque o crescimento do Brasil, da Rússia, da Índia e da China dá ao mundo a oportunidade de criar uma verdadeira comunidade global, na qual o poder não ficará centralizado num único lugar e onde mais pessoas terão a chance de sair da pobreza. Acredito numa transição para uma ordem global mais descentralizada, na qual o conhecimento e a capacidade de criar serão mais importantes do ponto de vista da influência internacional do que a capacidade de intervir num ou noutro país. Nesse contexto, o Brasil tem uma oportunidade histórica. O país é o mais avançado dos BRIC no que diz respeito à responsabilidade corporativa e o mais abençoado em termos de recursos naturais. Vocês podem criar um modelo novo para o resto do mundo e liderar os outros países emergentes.

(Cynthia Rosenburg)

24/06/2008
Um belo caso de inovação social

Quer conhecer a história de um empreendedor social realmente inovador? Leia a reportagem sobre Howard Weinstein publicada na edição de Época NEGÓCIOS que acaba de ir para as bancas (veja o texto na íntegra
aqui).

Howard é canadense, criou uma empresa de aparelhos auditivos em Botsuana e está reproduzindo o negócio no Brasil. O aparelho criado por ele custa bem menos que os modelos disponíveis no mercado, tem baterias recarregáveis a energia solar e é fabricado, em algumas etapas, por deficientes auditivos. O modelo deu certo em Botsuana e ganhou notoriedade internacional. Já rendeu ao empreendedor um prêmio humanitário da Academia Americana de Audiologia, em maio deste ano.

Howard é um dos personagens retratados na série Generosidade, da Editora Globo, que publica Época NEGÓCIOS. Até setembro deste ano, você pode ler nas revistas da editora histórias de gente que trabalha pelo bem das pessoas e do meio ambiente. Os textos estão reunidos no site do Generosidade, onde os leitores também podem contar suas histórias. Em outubro, um júri escolherá o melhor projeto – que receberá um prêmio de R$ 200 mil.


(Cynthia Rosenburg)

09/06/2008
Os próximos passos da Natura

A Natura aproveitou o Dia Mundial do Meio Ambiente para falar de suas ações de compensação de gases causadores do efeito estufa, parte de um amplo projeto da empresa que visa a neutralização total de suas emissões
(clique aqui e veja matéria sobre o assunto).

Dos projetos de compensação em andamento, a companhia destacou dois. Vale o registro:

Em parceria com o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE), terceira maior ONG ambiental do Brasil (conhecida pelo Projeto Mico-Leão-Preto), a Natura pretende compensar 60 mil toneladas de CO2 em 30 anos com o reflorestamento e recuperação de áreas degradadas no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado de São Paulo. O projeto do IPE deve restaurar 184 hectares, com o plantio de mais de 80 espécies nativas. A idéia é proporcionar a conexão entre fragmentos florestais e Unidades de Conservação da Mata Atlântica do Pontal, por meio de corredores ecológicos e Sistemas Agroflorestais.

Com a ajuda da Ecológica Assessoria, empresa com foco em consultoria de projetos na área de mudanças climáticas e créditos de carbono, a Natura quer neutralizar outras 60 mil toneladas de CO2. O projeto consiste em buscar alternativas sustentáveis – como caroços de açaí e cascas de arroz eliminadas durante o beneficiamento do cereal – em substituição ao uso de madeira nativa do Cerrado no abastecimento dos fornos das indústrias ceramistas do Brasil.

Segundo Fabien Bronès, gerente de impactos ambientais da Natura, além das ações de compensação, a empresa tem mais de 30 projetos de redução em andamento. A meta da empresa consiste em diminuir, em cinco anos, as emissões de CO2 em 33% em toda a sua cadeia produtiva - da extração da matéria-prima ao descarte do produto pelo consumidor.

(Aline Ribeiro)

05/06/2008
Boas notícias sobre a Amazônia



Durante uma apresentação na Conferência do Instituto Ethos na semana passada, o pesquisador Adalberto Veríssimo, um dos fundadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (
Imazon) apresentou uma relação de boas notícias sobre a região. Sim, elas existem. Alguns exemplos:

>>> O mercado dos produtos chamados "verdes" ou "sustentáveis", feitos a partir de boas práticas ambientais e sociais, está crescendo no Brasil.

>>> Há cada vez mais informações disponíveis sobre a Amazônia e o nível de transparência com que são apresentadas vem melhorando. (Em boa medida isso acontece, é bom dizer, graças ao excelente trabalho de produção de conhecimento realizado por organizações como o próprio Imazon.)

>>> As áreas protegidas estão em expansão. "É um legado importante da Marina Silva", disse Veríssimo.

>>> O diálogo intersetorial vem crescendo. "Um exemplo é a existência do Fórum Amazônia Sustentável."

O Fórum Amazônia Sustentável, lançado há seis meses pelo Instituto Ethos com outras organizações da sociedade civil, empresas privadas e públicas, instituições acadêmicas e de pesquisa, já tem hoje 80 membros. Em breve, entre outras ações, deverá lançar uma publicação com o perfil das organizações que atuam hoje na Amazônia. Saiba mais sobre o fórum aqui.

(Cynthia Rosenburg)


05/06/2008
Na pauta, a Amazônia



Ao deixar o Ministério do Meio Ambiente semanas atrás, Marina Silva conseguiu algo inédito: transformar a Amazônia num dos assuntos mais debatidos no Brasil. É verdade que ainda é cedo para saber se o zumzumzum atual vai resultar num plano consistente, mas o fato é que, pela primeira vez em muito tempo, o resto do país parece interessado em entender o que acontece por lá.

O assunto é complicado e, ao contrário do que muitos acreditam, não envolve apenas questões ambientais. Há também aspectos econômicos e sociais importantes, todos co-relacionados – como, por exemplo, permitir que as 24 milhões de pessoas que vivem ali tenham fontes de renda que não dependam da degradação da floresta.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, o site sobre Amazônia da ONG Amigos da Terra preparou um
resumo dos principais problemas enfrentados hoje pela região. Entre eles: o desmatamento, a construção e hidrelétricas e rodovias, o crédito rural e o agronegócio. É uma leitura importante para quem quer participar desse debate.

Em tempo: hoje, ao falar sobre a Amazônia, o presidente Lula afirmou que falta ao povo brasileiro “consciência e maturidade” para tratra as questões ambientais – e disse que, para chegar lá, precisamos de um “revolução cultural”. Lula também cobrou uma maior participação dos meios de comunicação nesse processo.

É curioso. Há anos a Amazônia está na pauta da imprensa, e não só dos veículos especializados em meio ambiente. Surpreende que, até agora, não tenha entrado para valer na pauta do governo.

(Cynthia Rosenburg)

05/06/2008
Jogo de empurra

Uma discussão acalorada em torno da polêmica do enxofre no diesel marcou o final do dia ontem na Conferência Ethos 2008. A novela já está rolando desde setembro de 2007, quando o Ministério Público, pressionado pela sociedade civil e por movimentos como o Nossa São Paulo, exigiu que a Petrobras cumprisse lei e vendesse diesel com menos enxofre.

A história, um tanto complicada, é a seguinte: de acordo com a resolução 315/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o limite do teor de enxofre no diesel distribuído no Brasil deve ser 50 partes por milhão (ppm) a partir de janeiro de 2009. A proporção atual é muito superior a isso: 500 ppm em regiões metropolitanas e 2000 ppm no interior. O enxofre é cancerígeno e responsável pela morte de 3 mil pessoas por ano só na capital paulista, segundo estudos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

De quem é a culpa?

Mais uma vez, o jogo do empurra tomou conta da discussão. A Petrobras diz que não se preparou para a produção do diesel limpo porque desconhecia as especificações técnicas que o combustível deveria ter. A responsável por elaborar essas “especificações” é a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), que não estava presente no debate (a ANP estabeleceu as normas em outubro de 2007, cinco anos depois de o Conama exigir as especificações). Na outra ponta, a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), representante das montadoras, afirma que não pode fabricar veículos com motores adaptados ao novo diesel, os chamados Euro IV, por não saber que diesel é esse.

No final do ano passado, a Petrobras anunciou que colocaria à venda até janeiro de 2009 o diesel mais limpo, conforme determina a lei. Porém, condicionou a venda à fabricação dos tais carros readequados. Ontem, durante a conferência, outra questão foi levantada: um estudo do Ministério da Indústria e Desenvolvimento que comprova os benefícios da utilização do diesel com 50 ppm mesmo em veículos antigos. A Petrobras não se pronunciou a respeito.

Ataque

Eduardo Jorge, secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, questionou, durante toda sua fala, a falta de posicionamento da Petrobras, da Anfavea e da ANP. Usou a palavra “conspiração” para sugerir a falta de interesse das partes em resolver o problema do enxofre e afirmou não admitir que a estatal produza o combustível mais limpo em “doses homeopáticas”, como tem sido proposto. Inspirado nas “metáforas futebolísticas apreciadas pelo querido presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, ele disse que a Petrobras, a Anfavea e ANP são, assim como o Fluminense, um time - e que deveriam fazer gol juntos. “Aqui acontece o contrário. Não fazem gol e ainda colocam a culpa no outro - no caso, na ANP, que nem aqui está.”

Pressionado por Jorge, Frederico Kremer, gerente de soluções comerciais da área de abastecimento da Petrobras, disse que até janeiro de 2009 a estatal vai cumprir a resolução do Conama. Perguntou-se, então, se o diesel de 50 ppm vai estar presente em todos os postos de gasolina ou se apenas numa pequena parcela do mercado. “Vamos atender 8% dos carros adaptados”, afirmou Kremer. Uma vez que a Anfavea disse que os veículos novos não estarão prontos, não terá combustível limpo? “É a mesma coisa de eu prometer te dar um Porsche, mas só depois de você comprar uma ilha na Grécia”, compara Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo. Henry Joseph Junior, presidente da Comissão de Energia e Meio Ambiente da Anfavea, limitou-se a dizer que não pode responder, em nome das montadoras, quando conseguirão entregar os carros adaptados.

(Aline Ribeiro)

30/05/2008
A distância entre a percepção e a ação

As empresas brasileiras estão atentas à sustentabilidade e à responsabilidade social, mas ainda não transferem esses conceitos para a gestão. É o que mostra a parcial de uma pesquisa realizada pelo Instituto Ethos, pelo Instituto Akatu e pelo Ibope, com apoio da Kellogg Foundation, divulgada hoje durante a Conferência Internacional do Ethos. “O movimento avançou nos últimos anos, mas somente sob o ponto de vista da percepção”, afirma Ricardo Young, presidente do Ethos. “As empresas sabem que existem ferramentas e indicadores para atingir melhores resultados, mas a incorporação disso na gestão ainda é muito incipiente.”

O levantamento baseou-se em respostas de executivos de 745 companhias – pequenas (83%), médias (9%) e grandes (8%) – e indicou que a maioria das empresas evoluiu nas práticas de responsabilidade social e sustentabilidade apenas nas relações com os funcionários e consumidores. “Falta levar isso para o relacionamento com outros públicos”, diz Young.

Segundo a pesquisa, 72% das companhias asseguram aos trabalhadores uma remuneração que garanta um nível de vida adequado para eles e suas famílias e 65% têm normas e processos que visam evitar assédios moral e sexual. Sobre as relações com os consumidores, o estudo indica que 56% delas mantêm procedimentos para avaliar a eficácia e a rapidez em resolver demandas de clientes e 73% respeitam a privacidade dos consumidores.

Meio ambiente

A pesquisa trouxe um alerta: a maioria das companhias ouvidas ainda não se preocupa com a mudança climática. Do total, 82% não têm um programa específico para a redução de gases causadores do efeito estufa. Além disso, 72% delas jamais discutiram a possibilidade de realizar um inventário de suas emissões.

As empresas estão mais avançadas em relação a outros temas ambientais: 55% mantêm programas para a racionalização e otimização do uso de energia, 54% têm programas relacionados ao uso de água e 49% realizam coleta seletiva de lixo não industrial.

Quem cuida do assunto?

De acordo com a pesquisa, em 40% das médias e grandes empresas, temas relacionados à responsabilidade social e sustentabilidade ficam a cargo da área de recursos humanos. Em 43% das pequenas empresas, a área administrativo-financeira é quem cuida dessas questões.

O levantamento mostra que 9% das grandes companhias brasileiras têm uma área específica para o assunto. “O percentual de empresas com uma área destinada à responsabilidade social é positivo”, diz Young. “Há dois anos, o número era bem menor.”

A Pesquisa Nacional de Práticas e Perspectivas de Responsabilidade Sócio-Empresarial (RSE) levou em conta 29 critérios referentes à sustentabilidade relacionados a sete grandes temas: direitos humanos, direitos das relações de trabalho, proteção das relações de consumo, meio ambiente, ética e transparência, diálogo e engajamento dos stakeholders e governança coporativa. Os resultados finais do estudo estão previstos para o início de junho.

(Aline Ribeiro)

29/05/2008
Quem quer carona?

Para tentar diminuir o número de automóveis nas ruas de São Paulo, onde os congestionamentos pioram a cada semana, e reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa está sendo lançado hoje, durante a Conferência do Instituto Ethos, um site que pretende ajudar as empresas a incentivar seus funcionários a oferecer carona.

Inspirado em modelos internacionais, o “MelhorAr, Compartilhe suas Viagens” é simples: profissionais com e sem carro preenchem um formulário informando onde moram, se são ou não fumantes, se gostam de ar condicionado, entre outros. Um sistema cruza essas informações e apresenta aos inscritos possibilidades de carona em dias e horários pré-agendados. “O programa mostra a rota do motorista e as pessoas que moram perto dele”, diz Lincoln Paiva, da Believe Marketing Services, uma das empresas idealizadoras do projeto. “Em seguida, basta o dono do carro escolher, baseado em afinidades, para quem vai dar carona.”

Patrocinada pelos próprios criadores, a idéia é que, no futuro, o projeto ganhe incentivos financeiros e possa oferecer novos serviços. “Quem oferece carona vai ganhar um selo para colocar no seu carro. Se tivermos a ajuda de parceiros, esses motoristas poderão ter alguns benefícios, como descontos em estacionamentos de shopping”, afirma Miguel Aschieri, da Wise Consultoria, que desenvolveu a parte técnica da plataforma na web.

Além de cruzar as rotas dos funcionários, o site calcula a redução de emissões e informa quantas árvores o motorista deveria plantar para neutralizar os gases liberados pelo seu carro. A instalação do sistema é gratuita e os interessados podem obter informações no site
www.projetomelhorar.com.br. Depois de testado em São Paulo, o projeto deverá ser levado para Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Segundo Lincoln Paiva, se uma pessoa pára de usar o automóvel durante um ano, considerando uma distância de 6 km entre sua casa e o trabalho, 480 kg de dióxido de carbono deixam de ser emitidos na atmosfera. A meta dos idealizadores é que, em três anos, um milhão de carros deixem de circular em São Paulo.

(Aline Ribeiro)

29/05/2008

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