Cynthia Rosenburg, editora-executiva de Época NEGÓCIOS, e a repórter Aline Ribeiro discutem nesse espaço sustentabilidade e empresas.
 
 
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(foto: Globo News)

O que o presidente da Vale
pensa sobre o meio ambiente?



Na manhã desta terça-feira, a Globo News promoveu, em São Paulo, um debate sobre “O tamanho do Estado e os caminhos do desenvolvimento” no Brasil. Os convidados eram Roger Agnelli, presidente da Vale do Rio Doce, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Sabem que tema dominou boa parte da discussão? O meio ambiente. Foi uma boa oportunidade para ver o que o presidente de uma das maiores mineradoras do mundo pensa sobre o assunto.

Agnelli fez várias reclamações – uma das principais, sobre energia. “Todos os países do mundo estão discutindo qual será a equação energética dos próximos 20 ou 30 anos, na era pós-petróleo”, disse. “E, aqui no Brasil, a Vale terá que limitar seus investimentos para a próxima década por causa da disponibilidade de energia.”

A demora do Ibama na liberação de licenças ambientais para projetos de infra-estrutura é um dos principais problemas, segundo ele. “É claro que precisamos respeitar as questões ambientais e sociais, não há dúvidas sobre isso”, disse. “O que não dá é para ficar discutindo, discutindo... O que queremos deixar para as gerações futuras? Não é um país sem energia. O licenciamento no Brasil está complexo, está difícil. Precisa ser mais simples.”

A jornalista Miriam Leitão, mediadora do debate, fez uma provocação a Agnelli. Disse que a Vale vende minério para siderúrgicas que contribuem para a devastação da Amazônia e usam trabalho escravo. A empresa não deveria se perguntar que tipo de impacto negativo pode estar causando na sua cadeia de negócios? A resposta de Agnelli – que minutos antes defendera “questões ambientais e sociais” – causou estranheza. “Como fornecedores, não podemos deixar de vender para companhias legalmente estabelecidas”, disse ele. “Se a empresa tiver algum problema e ele se tornar público, aí, sim, paramos de vender.”

29/05/2007


É hora de aprofundar o debate

Se depender de Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, a conferência internacional que começa no próximo dia 12 (veja a agenda no site www.ethos.org.br) será a mais quente da história do Ethos.

Para quem nunca participou da conferência: o evento, que acontece todos os anos, é um dos principais pontos de encontro das pessoas que trabalham com responsabilidade social e sustentabilidade nas empresas, nas ONGs e na academia. Nas últimas edições, o Ethos foi algumas vezes criticado por não dar espaço a discussões mais polêmicas. Este ano, ao que tudo indica, os profissionais do instituto estão decididos a fazer diferente.

Numa reunião hoje (28/05) com jornalistas, Ricardo Young fez um apelo: sejam críticos e coloquem os participantes da conferência na parede. “Estamos orientando os conselheiros do Ethos a não ter papas na língua e a não usar meias palavras durante o evento”, disse. “Queremos que as pessoas venham com garfos e facas afiados.”

O motivo? “Precisamos aprofundar o debate.”

No último ano, a discussão sobre a sustentabilidade ganhou visibilidade na imprensa e nas empresas. Isso, sem dúvida, é bom. O lado ruim é que agora tantas companhias declaram ser socialmente responsáveis e trabalhar pelo desenvolvimento sustentável que fica difícil entender o que é discurso e o que é prática. E, mesmo entre aquelas que colocam, sim, a mão na massa, é difícil saber se o que fazem é mesmo relevante.

“Mesmo as empresas mais avançadas – como, por exemplo, as que participam do Índice de Sustentabilidade da Bovespa – ainda precisam fazer a grande lição de casa”, disse Young. Por “lição de casa” entenda-se: promover mudanças efetivas na forma como a companhia é administrada, incorporando metas relacionadas ao desenvolvimento sustentável e demandas específicas da sociedade. “Como a empresa reduz o impacto negativo do seu negócio? Como provoca transformações na sua cadeia de valor? Como procura educar o consumidor? Como insere aspectos ambientais na engenharia de produção? Como procura responder aos anseios da sociedade? Muitas perguntas como essas não estão sendo feitas pelas companhias.”

Ricardo Young fez um apelo importante aos jornalistas: sejam críticos.

Mais do que isso, acredito que vale um apelo às empresas: sejam consistentes.

29/05/2007

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