 |
| Cynthia Rosenburg, editora-executiva de Época NEGÓCIOS, e a repórter Aline Ribeiro discutem nesse espaço sustentabilidade e empresas. |
|
 |
| |
| |
|
 |
Cuidado com o blábláblá
Antes do início da palestra de abertura da conferência do Ethos – já passava das 9h da noite – os presentes assistiram a um vídeo sobre os patrocinadores do evento. Parece irrelevante, mas não é. Mais de dez presidentes de empresas – de companhias como Petrobras, Shell e CPFL – deram depoimentos sobre as razões que os levaram a apoiar a conferência.
Quem prestou atenção percebeu: o discurso de todos era i-dên-ti-co. Todos os executivos disseram que a responsabilidade social está no DNA de suas empresas, afirmaram que suas companhias sempre se preocuparam com questões ambientais e sociais e disseram que essa estratégia é parte do compromisso de suas organizações com o futuro do país. Ok, não há nada errado nisso – nos dias de hoje, cabe mesmo aos presidentes falar sobre o tema. O problema é que o discurso sobre responsabilidade social e sustentabilidade está agora tão padronizado que fica cada vez mais difícil entender a contribuição – verdadeira, efetiva – de cada empresa. Fica parecendo que todas as companhias, sem exceção, já alcançaram o estado da arte da responsabilidade socioambiental – o que, como todos sabem, está longe de ser a verdade.
Se os executivos não acordarem para esse desafio de comunicação, em breve tudo o que as empresas dizem fazer pelo desenvolvimento sustentável vai parecer blábláblá.
|
13/06/2007 |
|
|
 |
 |

(foto: Claudia Perroni/divulgação)
A responsabilidade social vai morrer?
Na noite de ontem, 12 de junho, centenas de pessoas trocaram a comemoração do dia dos namorados (ou parte dela) pela palestra de abertura da Conferência Internacional do Instituto Ethos, em São Paulo. O motivo: o Ethos conseguiu reunir no mesmo debate alguns dos maiores especialistas internacionais em responsabilidade social empresarial e sustentabilidade.
Eram eles: John Elkington, fundador da consultoria SustainAbility (e colunista de Época NEGÓCIOS), Aron Cramer, presidente da Business for Social Responsability (BSR), Simon Zidek, presidente da Accountability, Ernst Ligteringen, presidente da Global Reporting Initiative (GRI), e Alice Tepper Marlin, presidente da Social Accountability International (SAI). Os temas em pauta eram a pesquisa recém-concluída pela SustainAbility sobre sustentabilidade e globalização e os rumos das estratégias de responsabilidade social das empresas. A apresentação foi feita por Jodie Thorpe, gerente do programa da SustainAbility para economias emergentes. E o debate foi surpreendente.
Nas entrelinhas da pesquisa e das falas dos presentes, uma constatação: é possível que a responsabilidade social empresarial – da maneira como a conhecemos hoje – esteja com seus dias contados. Segundo os especialistas, as empresas precisarão mudar radicalmente seus modelos de atuação se quiserem dar conta dos desafios impostos pela globalização e ajudar o mundo encontrar um modelo de desenvolvimento sustentável.
“Não há qualquer garantia de que as empresas hoje percebidas como socialmente responsáveis terão sucesso no futuro”, disse Jodie. “A responsabilidade social ainda está ligada à idéia de ser ´do bem´ ou de fazer coisas legais”, disse Elkington. “Isso não nos levará a lugar algum. Nos próximos anos, precisaremos de rupturas e de inovação.”
E que caminhos, afinal, as companhias devem seguir? Um deles, segundo os debatedores, é o da colaboração. “As empresas precisarão interagir cada vez mais com outras empresas, com lideranças da sociedade civil e com os governos”, disse Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos. “Não haverá saída sem a criação de redes de colaboração.”
|
13/06/2007 |
|
|
 |
 |

Os bilhões verdes da GE A cifra impressiona: US$ 12 bilhões de dólares. Esta foi a receita dos produtos ecologicamente corretos da GE em 2006 – menos de dois anos depois do lançamento da estratégia “Ecomagination”. O valor, divulgado recentemente, deverá reforçar a imagem que a GE conquistou nos últimos anos: a de uma companhia que consegue transformar os desafios ambientais numa excelente oportunidade de negócios. A Ecomagination foi criada depois que os executivos da GE notaram que seus clientes estavam preocupados com os impactos da crise ambiental em suas empresas. A estratégia é voltada para o desenvolvimento de tecnologias – de turbinas de aviões a locomotivas – que, além de lucrativas, ajudem a resolver problemas ambientais. A GE estabeleceu metas de negócios e de ecoeficiência ambiciosas e se comprometeu a prestar contas à sociedade sobre seu desempenho. Veja alguns destaques do novo relatório “Delivering on Ecomagination”: · A receita de US$ 12 bilhões em 2006 representa um crescimento de 20% em relação a 2005, ano de criação da Ecomagination. A meta é chegar a US$ 20 bilhões em 2010.
· “A empresa nunca teve uma iniciativa que gerasse resultados financeiros tão rapidamente”, afirma Jeffrey Immelt, presidente da GE, no relatório.
· Os investimentos em tecnologia e desenvolvimento aumentaram de US$ 700 milhões em 2005 para US$ 900 milhões em 2006. A meta é alcançar US$ 1,5 bilhão em 2010.
· Um dos novos produtos é um sistema de tratamento de água movido a energia solar que está sendo usado em comunidades da Índia, da Malásia e de vários países da África onde há dificuldades de acesso à água potável.
· A GE criou um conselho consultivo do qual participam líderes como Jonathan Lash, fundador do World Resources Institute, e Bill McDonough, um dos maiores especialistas internacionais em arquitetura sustentável e ecodesign. Esse conselho se reúne pelo menos uma vez por ano no centro de pesquisas da empresa para discutir a Ecomagination.
E atenção!
Na última edição da Época NEGÓCIOS, publicamos uma reportagem sobre um empresário brasileiro que está surfando na onda verde da GE. Trata-se de Bento Koike, fundador da Tecsis, de Sorocaba. A Tecsis fabrica pás de turbinas de energia eólica e fechou um contrato de US$ 1 bilhão com a GE. Leia a matéria.
Leia também a reportagem sobre a GE na primeira edição de Época NEGÓCIOS e conheça o site da Ecomagination.
|
13/06/2007 |
|
|
 |
|
|