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| Cynthia Rosenburg, editora-executiva de Época NEGÓCIOS, e a repórter Aline Ribeiro discutem nesse espaço sustentabilidade e empresas. |
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Mais sobre a pesquisa do Ibope
Semana passada comentei uma recente pesquisa do Ibope sobre sustentabilidade. Alguns leitores escreveram pedindo mais informações. Segue o link de uma apresentação do Ibope sobre o estudo: www.ibope.com.br/forumibope/pesquisa/ibope_sustentabilidade_set07.pdf |
20/09/2007 |
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“O assunto saiu do gueto”
Alexandre Mansur é editor de ciência e tecnologia da Revista ÉPOCA e responsável pelo Blog do Planeta. Ontem ele e sua equipe receberam o terceiro Prêmio CEBDS de Desenvolvimento Sustentável. A reportagem premiada foi “Isso pode acontecer?” (abril/2007), que relata as conseqüências do aquecimento global para o Brasil (participei do trabalho com uma matéria sobre meio ambiente e negócios).
. Você escreve sobre meio ambiente há 16 anos. Como vem evoluindo o interesse pelo tema?
Na virada das décadas de 80 para 90, meio ambiente estava em alta. A queda do Muro de Berlim e o fim das utopias socialistas abriram espaço para a primeira militância globalizada, a das ONGs ambientais. A preocupação ecológica dava mídia, mas era um interesse disperso. As pessoas queriam saber do desmatamento, do lixo, da camada de ozônio, etc. Depois, em meados da década de 90, a militância com outros temas, mais sociais, se organizou e preocupação ambiental cedeu espaço para os movimentos anti-globalização e as campanhas contra a pobreza.
Há menos de dois anos, o consenso científico sobre o aquecimento global e as evidências (como o furacão Katrina) fizeram o tema atropelar outras preocupações como o terrorismo. Isso é inédito.
Já vivemos ondas de preocupação ecológica antes, uma na década de 70 (com os hippies) e outra no início dos 90 (com a Rio 92). Agora a atenção está focada em apenas um assunto: mudanças climáticas. E a abordagem é bem pragmática. Pela primeira vez, é um tema saiu do gueto dos ecologistas para envolver revistas de negócios (como a sua). As outras causas ambientais vão na carona.
. A matéria que ganhou o prêmio do Cebds fala das consequências do aquecimento global para o Brasil. Quais são as questões ambientais mais importantes hoje para o país?
Desmatamento. Cerca de 70% de nossa contribuição para o aquecimento global é desmatamento. Não que as árvores sejam bonitinhas. Elas devem ser usadas para produzir madeira. Também podem gerar outros produtos exclusivos nossos. Mas elas estão sendo derrubadas para abrir pastagens pouco produtivas. É um desperdício de recursos que só faz sentido porque se trata de terra pública invadida por grileiros.
O Brasil vende uma expansão no programa de álcool (para reduzir emissões de CO2) sem garantias de que isso não vá aumentar o desmatamento (que emitiria muito mais CO2). Temos uma indústria siderúrgica que se sustenta, em grande parte, queimando carvão de floresta nativa. Essas florestas, que incluem a parte arbórea do cerrado, também são nossa garantia de estabilidade climática, porque regulam o ciclo de chuvas que sustenta a agricultura no resto do país.
. Uma pesquisa recente do Ibope mostrou que ainda há uma enorme distância entre o que as pessoas consideram importante para o meio ambiente e o que elas estão dispostas a fazer pelo meio ambiente. Por que isso acontece?
Eu diria que os consumidores estão cada vez mais dispostos a discriminar as empresas segundo critérios sociais e ambientais. Dar preferência para móveis com certificação ambiental (que não vêm de desmatamento) pode ser mais importante do que usar um minhocário em casa para fazer reciclagem do lixo orgânico.
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20/09/2007 |
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Como avança a sustentabilidade?
Por mais que o assunto venha ganhando atenção, pesquisas sobre sustentabilidade e negócios, que mostrem de que maneira as empresas e os consumidores tratam o tema, ainda são raras. Por isso, é sempre útil quando surge um levantamento que ajuda a esclarecer de que maneira o assunto está avançando.
Uma pesquisa divulgada pelo Ibope na semana passada lança luzes sobre vários aspectos relevantes. Foram ouvidos cerca de 500 executivos do alto escalão de companhias privadas e 1.000 pessoas nas classes A, B e C em várias cidades do país. “A pesquisa mostrou que existe uma preocupação crescente com o tema”, afirma Paula Sória, diretora de atendimento e planejamento do Ibope Inteligência. “Mas revelou que ainda não existe clareza sobre o valor das ações relacionadas à sustentabilidade. Ainda não é algo tangível para a maioria das pessoas.”
Veja algumas das constatações mais interessantes da pesquisa:
>> O conceito parece estar mais claro para os executivos: 59% afirmaram que ele está relacionado à responsabilidade social e 58% disseram que está ligado à preservação do meio ambiente. “A população geral está bem mais confusa”, diz Paula. Entre os cidadãos, somente 23% citaram o respeito ao meio ambiente e 13% mencionaram investimentos sociais. “As pessoas se referem mais a aspectos como o desenvolvimento de produtos ou à solidez financeira das empresas.”
>> 46% dos executivos afirmaram que suas companhias têm políticas de sustentabilidade – e 37%, que elas possuem departamentos dedicados ao assunto. Mesmo assim, o tema ainda é visto como pouco incorporado aos negócios. Para 33% dos executivos, trata-se de um assunto “estratégico” – 11% o classificaram como “inexistente”.
>> Existe uma grande distância entre o que as pessoas dizem ser importante fazer pelo meio ambiente e o que elas estão dispostas a fazer pelo meio ambiente. Um exemplo: 92% das pessoas afirmaram que separar o lixo para reciclagem é uma obrigação da sociedade, mas apenas 30% disseram que fazem isso em suas casas.
A sustentabilidade e o marketing
Uma das constatações que mais chamam a atenção na pesquisa do Ibope é a de que existe uma percepção de que as empresas adotaram o discurso da sustentabilidade porque isso é bom para a imagem delas.
Para 46% das pessoas entrevistadas, as companhias que desenvolvem ações sociais e ambientais fazem isso somente como estratégia de marketing.
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14/09/2007 |
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