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| Cynthia Rosenburg, editora-executiva de Época NEGÓCIOS, e a repórter Aline Ribeiro discutem nesse espaço sustentabilidade e empresas. |
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O joio e o trigo
Entrevistei hoje Hugo Penteado, economista-chefe do ABN Amro Asset Management. Penteado é autor de um livro interessante: Ecoeconomia – Uma nova abordagem, publicado pela Lazuli Editora. No livro, questiona as teorias econômicas tradicionais, que não consideram o caráter finito dos recursos naturais e defendem o crescimento a qualquer custo. Inspirado pelas idéias de Nicholas Georgescu-Roegen (leia sobre ele aqui), Penteado propõe a mudança para uma “ecoeconomia”, ou economia ecológica, capaz de conciliar desenvolvimento com distribuição de riqueza e respeito aos limites da natureza.
Na nossa conversa, Penteado deu sugestões sobre como distinguir uma empresa que leva a sustentabilidade a sério de outra que usa o tema apenas para fazer barulho:
>> Empresas realmente preocupadas com a sustentabilidade promovem um movimento interno que envolve não um ou outro funcionário ou departamento, mas a companhia inteira. Em estágios avançados, esse movimento influencia as metas e a remuneração das pessoas. Trata-se, portanto, de uma mudança cultural – e não de um assunto que surge e depois desaparece.
>> Quando a sustentabilidade é levada a sério, ela influencia as áreas de negócios da empresa, que passam a trabalhar considerando aspectos sociais e ambientais. Um exemplo no setor financeiro é a análise de risco sócio-ambiental na concessão de empréstimos.
Informações sobre esses aspectos costumam estar nos relatórios de sustentabilidade das companhias (na maioria das vezes você pode encontrá-lo em PDF no site da empresa). Se o relatório não disser nada sobre esse contexto cultural e de negócios, desconfie.
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06/11/2007 |
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O ataque de Porter Por Karla Spotorno "Muitas empresas, inclusive no Brasil, usam a responsabilidade social corporativa como uma ferramenta de relações públicas [marketing] ou como caridade. Não pode." Foi assim, com um puxão de orelhas, que Michael Porter, chegou ao fim de sua aula-palestra de três horas no segundo dia da Expomanagement, em São Paulo.
Porter: empresas usam a responsabilidade social como caridade.
Considerado a maior autoridade mundial em estratégia competitiva, o professor da Harvard Business School chamou atenção para a integração da responsabilidade social no DNA do negócio e da corporação. "Existe, sim, sinergia entre os objetivos econômicos e sociais", afirma. "As empresas devem encarar a agenda social estrategicamente e não como caridade." Para os 4 mil espectadores de sua apresentação, Porter advertiu: "Não existe empresa saudável com pessoas não saudáveis". Afinal, empresas são feitas de pessoas. |
06/11/2007 |
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Menos embalagens inúteis, por favor!
Depois que entrevistei o americano Matt Kistler, vice-presidente de marketing e pesquisa do Wal-Mart, fui tomada por uma obsessão: embalagens. Uma das atribuições de Kistler é encontrar oportunidades de reduzir o impacto ambiental da cadeia de negócios da rede por meio de melhorias nas embalagens dos produtos – diminuindo, assim, a geração de lixo. O executivo tem uma tarefa dura: convencer os fornecedores a criar embalagens menores ou ambientalmente inteligentes, com materiais que possam ser reciclados ou reaproveitados, sem comprometer a qualidade dos produtos. O assunto é importantíssimo para o Wal-Mart: a rede estima que uma redução de 5% no total de embalagens poderá representar uma economia de US$ 3,4 bilhões. (Se você não leu a reportagem de Época NEGÓCIOS sobre a estratégia de sustentabilidade do Wal-Mart, clique aqui.)
Na entrevista, Kistler – um sujeito que é capaz de falar sobre meio ambiente com o mesmo entusiasmo com que um torcedor são-paulino fala sobre a conquista do pentacampeonato brasileiro – usou um exemplo matador para ilustrar seu trabalho: o da caixa de cereais matinais. “Você abre a caixa de papelão e ainda encontra um pacote de plástico lá dentro”, disse ele. “Será que realmente precisamos das duas coisas?”
Agora, sempre que vou abrir uma caixa de qualquer coisa, penso no exemplo do executivo do Wal-Mart. Experimente fazer o mesmo e você ficará surpreso com a quantidade de embalagens desnecessárias que manuseamos todos os dias. Comece observando suas compras no supermercado.
Nesse contexto, é lamentável que algumas empresas ainda criem embalagens inúteis, para envolver itens que já estão embalados ou que não precisam disso! Hoje tive mais uma surpresa desagradável nessa área: o jornal que recebo em casa veio embrulhado numa campanha publicitária. É a terceira vez que isso acontece em poucas semanas – e o material extra pesava mais que um caderno do jornal. Pois bem, a iniciativa do anunciante não deu certo: a embalagem-publicidade só serviu para provocar minha antipatia pela empresa – e foi imediatamente para o lixo de reciclagem.
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05/11/2007 |
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