Cynthia Rosenburg, editora-executiva de Época NEGÓCIOS, e a repórter Aline Ribeiro discutem nesse espaço sustentabilidade e empresas.
 
 
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Mobilidade Sustentável

Por José Ruy Gandra

Como tantas outras expressões que as sucessivas ondas do mar dos negócios (e às vezes as marolas do marketing) trazem, parece ter chegado a vez de um novo e instigante jargão: mobilidade sustentável. Numa rápida pincelada, ela designa o bom e velho transporte pensado de modo mais holístico e comprometido com a defesa do meio ambiente.

A mobilidade, nesse caso, não se resume apenas à movimentação física de pessoas e mercadorias. Ela compreende todos os aspectos e segmentos da cadeia produtiva que, cada qual à sua maneira, contribuem para que criaturas e bens sejam levados de um lugar a outro: a modalidade (terrestre, aérea, marítima), o meio (carro, trem, navio, avião), a infra-estrutura (estradas, ferrovias aeroportos...), os combustíveis, a regulamentação pelo Estado. O conceito de mobilidade procura tratar de todos esses fatores de modo integrado, como parte de um mesmo (e complicado) universo.

Mobilidade sustentável, portanto, seria a busca, nesse território, de soluções integradas que não agridam o meio ambiente. Uma tarefa que envolve metas tão diversas quanto veículos mais leves e menos poluentes, combustíveis renováveis e mais eficientes, estradas mais seguras e políticas públicas mais sensatas para o tráfego urbano. Sob essa ótica, tanto os carros elétricos quanto os novos materiais dos onibus espaciais ou o rodízio de carros adotado em cidades como São Paulo são manifestações da mobilidade sustentável.

A expressão tem tudo para incorporar-se de vez ao vocabulário do business. Sua premissa é a de que, combinadas, inteligência e tecnologia podem criar soluções ecológicas relevantes. Um ponto de luz na escuridão. A mobilidade enfrenta hoje desafios inadiáveis: a fragilidade do meio ambiente, o custo crescente das fontes de energia tradicionais, a inseguranca persistente das estradas e o tráfego asfixiante das grandes metrópoles. Em suma: uma expressão como tantas outras que no início soavam um tanto obscuras (como logística e globalização, por exemplo), mas que, tudo indica, parece ter vindo para ficar.

15/11/2007
Direto de Xangai

Nos próximos dias, o blog Empresa Verde terá a colaboração do jornalista José Ruy Gandra, coordenador da área de conteúdo integrado da Editora Globo. Ele está na China para a cobertura do
Challenge Bibendum 2007, um evento promovido pela Michelin que reunirá líderes de diversas indústrias, principalmente a automobilística, para a discussão de um tema novo: a mobilidade sustentável.

Recebi há pouco as primeiras informações de Xangai.


O futuro das ruas

Por José Ruy Gandra

Como toda a China, Xangai, sua maior cidade, com quase 20 milhões de habitantes, parece estar sugando as entranhas da terra. Obras de infra-estrutura abrem enormes cicatrizes na cidade, a fim de prepará-la para o próprio crescimento. Xangai combina traços de uma metrópole terceiro-mundista como São Paulo, a poluição, bolsões de miséria, o tráfego e um certo fedor emanado do rio que a corta, com um skiline que lembra muito Manhattan.

A diferença, nesse segundo caso, são os vazios que Xangai ainda ostenta entre seus aglomerados de arranha-céus. Estima-se que, nos próximos 20 anos, toda a extensão de sua mancha urbana estará preenchida por uma massa compacta de edifícios com mais de 40 andares. Ao que já tem de novaiorquino, Xangai acrescenta uma diversidade arquitetônica única. Profissionais de todo o mundo assinam os projetos de seus principais arranha-céus, criando uma mescla de estilos com fortes traços futuristas: vãos livres, formas ousadas, detalhes insólitos, neons em profusão, cumes dourados etc...

É no nível de suas avenidas, porém, que Xangai, uma cidade planíssima, enfrenta seu mais duro desafio. Por suas ruas e avenidas trafegam 3 milhões de veículos. Recentes na paisagem, eles disputam palmo a palmo o asfalto com outros tantos milhões de bicicletas, motonetas, motocicletas e até uma ou outra charrete. As projeções mais conservadoras apontam para o dobro no número de automóveis ao longo dos próximos quinze anos. Vai ficar difícil encontrar algum oxigênio para respirar.

É nesse cenário insólito e um tanto aflitivo que será aberto, amanhã, o Challenge Bibendum, uma espécie de Fórum de Davos da indústria automobilística mundial, a que comparecem praticamente todos os grandes nomes da cadeia produtiva global: montadoras, indústrias de auto-peças, empresas de energia, petroquímicas e de tecnologia. Seu tema, nesta nona edição, não poderia ser mais adequado à cidade que sedia o evento: a mobilidade sustentável no transporte de pessoas e mercadorias. As palestras, debates e discussões prometem despertar enorme interesse. As principais terão seu conteúdo apresentado neste blog ao longo dos próximos três dias.

14/11/2007
Com a palavra, Ignacy Sachs

O economista
Ignacy Sachs é considerado um dos maiores especialistas mundiais em desenvolvimento sustentável. No último sábado, durante uma apresentação na USP, Sachs falou de sua visão sobre o tema para uma platéia de executivos. Alguns trechos de sua fala:

>> “Nas empresas, é muito fácil programar o computador para que todos os discursos incluam de alguma maneira a palavra sustentabilidade. Também é fácil usar o social ou o ambiental como vitrine e continuar fazendo negócios da maneira tradicional. Difícil é incorporar a sustentabilidade à estratégia de negócios da empresa. Isso poucos conseguem fazer.”

>> “A humanidade enfrenta hoje dois grandes desafios: as mudanças climáticas e o déficit crônico de oportunidades de trabalho decente. No debate atual sobre desenvolvimento, fala-se muito em atingir um crescimento econômico razoável com responsabilidade ambiental. Temo que a geração de empregos fique de fora desse debate.”

>> “No passado, cheguei a pregar que a palavra 'desenvolvimento' jamais fosse usada com um adjetivo. Perdi a batalha. Hoje, quando falo em desenvolvimento sustentável, estou falando de um desenvolvimento que seja: 1) socialmente includente, 2) ambientalmente sustentável e 3) economicamente sustentado.”

>> “Precisamos repensar a maneira como o mundo funciona. É por isso que vocês, nas empresas, estão condenados a inovar.”

12/11/2007
O exercício da Alcoa








As fotos acima são de um encontro que reuniu ontem, em São Paulo, cerca de 70 executivos do alto escalão da Alcoa no Brasil. O objetivo da reunião: discutir sustentabilidade.

A atividade da Alcoa tem impactos sócio-ambientais importantes, que vão do consumo intensivo de energia (essencial para a fabricação do alumínio) à influência na vida de comunidades inteiras (por exemplo, na implementação de projetos de mineração). Até recentemente, as reuniões de lideranças da Alcoa tratavam exclusivamente dos aspectos tradicionais (econômicos e financeiros) dos negócios. Desde 2006, passaram a abordar também os desafios da empresa no campo ambiental e social.

Eu e a jornalista Andréa Vialli, do jornal O Estado de S. Paulo, fomos convidadas para discutir com o grupo a visão da imprensa sobre as empresas e a sustentabilidade. Ainda mais interessante que a conversa foi o exercício que os executivos da Alcoa fizeram antes de iniciar o bate-papo.

Para que todos pudessem “entrar no clima”, Nemércio Nogueira, diretor de assuntos institucionais da Alcoa, convidou os presentes a recortar reportagens de jornais e revistas que falassem sobre sustentabilidade. As matérias selecionadas formaram o painel que aparece na terceira foto. Viu quantos recortes? Os executivos da Alcoa não escolheram somente reportagens dos cadernos de meio ambiente ou de responsabilidade social. Escolheram, também, textos das editorias de economia, de política, de tecnologia e até de carreira (uma das reportagens, publicada em outubro em Época NEGÓCIOS, fala do desafio de mães executivas que precisam conciliar trabalho e família –
leia aqui).

Enquanto alguns veículos da imprensa ficam discutindo se sustentabilidade deve ser um tema transversal, presente em todas reportagens, ou deve ser um assunto restrito a um espaço específico, separado do resto do jornal ou da revista, os executivos/leitores da Alcoa mostraram que estão um passo à frente. Eles enxergam sustentabilidade como uma visão de mundo – e, por isso, são capazes de relacionar qualquer texto a essa temática, não importa se a matéria trata do apagão de energia, da produção de alimentos ou do trânsito em São Paulo. Interessante, não?


Mais sobre a Alcoa

Para os interessados em conhecer mais sobre os desafios econômicos, sociais e ambientais da Alcoa, vale dar uma olhada no seu relatório de sustentabilidade. Um dos pontos interessantes do documento é o sumário executivo, que apresenta os temas considerados críticos para empresa: acesso à energia elétrica, desenvolvimento local e regional, desenvolvimento de pessoas, relações trabalhistas, gestão ambiental (de resíduos, efluentes e emissões) e preservação dos recursos naturais e da biodiversidade. Para cada tema, há informações sobre o contexto, as ações da empresa e o que ela pretende fazer no futuro.

09/11/2007

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