Cynthia Rosenburg, editora-executiva de Época NEGÓCIOS, e a repórter Aline Ribeiro discutem nesse espaço sustentabilidade e empresas.
 
 
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As mudanças climáticas na pauta

Por Aline Ribeiro

O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), com o apoio do Programa de Comunicação em Mudanças Climáticas da Embaixada do Reino Unido no Brasil, realiza nesta semana um workshop sobre mudanças climáticas para jornalistas
(veja programação). Pesos pesados da climatologia no Brasil vão orientar, até sábado, editores e repórteres sobre como tratar o assunto.

Os próprios pesquisadores dizem que não é tarefa fácil. Hoje, primeiro dia do evento, o professor José Antonio Marengo afirmou que compreende a dificuldade de transformar uma temática extremamente científica em algo compreensível. "De modo geral, salvo exceções, a imprensa cobriu bem os relatórios de clima do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, IPCC, lançados em fevereiro, abril, maio e novembro deste ano", disse ele, que é também pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT).

Durante sua exposição, Marengo mostrou algumas capas de revistas e jornais – nacionais e internacionais – para relembrar como o aquecimento global chegou aos olhos do grande público. "Muitas publicações colocaram ursos na capa, porque esses animais são bastante representativos e têm certo apelo", afirma. "No caso do Brasil, o mais adequado seria, porém, botar uma família que pode vir a passar fome por causa das secas provocadas pelas altas temperaturas. Afinal, aqui não temos ursos polares."

Moderador do evento, o jornalista Marcelo Leite, editor do blog Ciência em Dia, elogiou a iniciativa. Ele lembra que quando começou a escrever sobre o assunto, há cerca de 20 anos, não tinha o privilégio de participar de discussões relativas às mudanças do clima. "A gente tinha de aprender de um jeito muito mais difícil: por meio de entrevistas que, na verdade, eram grandes aulas particulares", disse. "A capacitação só será possível com busca de informação qualificada, de fonte científica." Uma pena é que, dos quase 70 jornalistas inscritos, metade não pôde comparecer.

O primeiro dia do evento terminou com outro pesquisador tarimbado do Inpe: o doutor em meteorologia Carlos Nobre. Didático, ele dividiu sua apresentação em tópicos, alguns brevemente descritos abaixo:

Um passinho pra trás

Os países desenvolvidos têm de dar um passo para trás no que diz respeito ao crescimento econômico, mesmo que seja em taxas não explosivas. Exatamente o contrário do que pensam Bush pai e Bush filho, que declararam publicamente, no passado, que o modo de vida – nem um pouco econômico – americano não está em negociação. Já os países em desenvolvimento, diz Nobre, não podem almejar ser superdesenvolvidos como os Estados Unidos. Basta quererem o desenvolvimento.

Quem paga a conta?

Uma coisa já é fato. Mesmo se reduzirmos drasticamente as emissões de CO2 aos níveis desejados, o mundo vai esquentar. Segundo o relatório do IPCC, as ameaças vão do aumento vertiginoso da fome no mundo à extinção de até 30% das espécies do planeta. E quem vai pagar a conta da adaptação? Acompanhe o raciocínio do pesquisador: se a temperatura do globo terrestre cresce, o nível do mar aumenta. As cidades litorâneas – e não são poucas! – terão de ser remanejadas, a fim de que as casas próximas ao oceano (e pensar que antes era chique ter propriedade com vista para o mar) não fiquem submersas. Isso custa dinheiro, certo? De onde esse dinheiro virá mesmo? Essa é só uma das milhares de possibilidades futuras que compõem o cenário sombrio.

Esforço coletivo

Hoje, o Brasil não integra o grupo do Protocolo de Quioto (acordo que prevê redução média de 5,2% das emissões de gases causadores do efeito de estufa nos países industrializados), sujeito a metas de redução de emissões. Isso deve mudar, segundo Nobre. "Só assim lideraria um movimento dos países em desenvolvimento e ganharia credibilidade como nação ambientalmente correta."

21/11/2007
O fórum da soja responsável

Acontecerá na próxima semana, em Buenos Aires, mais uma reunião do conselho da Mesa Redonda da Soja Responsável. A RTRS (
Roundtable on Responsible Soy, em inglês) foi criada em 2006 com o objetivo de definir os padrões sócio-ambientais que devem ser observados na produção, no processamento e na comercialização da soja.

Participam da iniciativa empresas (como Unilever, Bunge, Carrefour e Rabobank) e ONGs (como WWF e Ipam).

O objetivo da RTRS é chegar a um consenso e publicar, até 2009, um documento com os critérios de sustentabilidade que devem ser observados em toda a cadeia de negócios da soja. Atualmente, um grupo formado por 23 especialistas apontados pelo conselho dedica-se a esse trabalho.

Segundo Christopher Wells, presidente do conselho da RTRS, a reunião da semana que vem poderá contar com um representante da embaixada chinesa. “Temos o desafio de engajar a China, que é o maior importador mundial de soja, e os Estados Unidos, maior produtor global.” Os dois países ainda não estão representados no grupo.

O modelo de “mesa redonda” já é usado para a adoção de critérios em outras cadeias de negócios, como a do óleo de palma. “É um bom exemplo de como empresas e organizações do Terceiro Setor podem trabalhar juntas”, diz Wells.

19/11/2007
O preço da mobilidade

Por José Ruy Gandra

No debate inaugural do Challenge Bibendum 2007 Xangai, uma unanimidade: é mais do que tempo de adaptar a mobilidade terrestre, em todos os seus segmentos, aos desafios ambientais. Só assim, acreditam os participantes, será possível reduzir o custo social que a locomoção atualmente acarreta. Um tributo que pode ser contabilizado de diversas formas: índices de poluição, perda de competitividade, óbitos crescentes, gargalos logísticos e, claro, desperdício de tempo e humor. Veja alguns indicadores do tributo diariamente pago por cidadãos do mundo inteiro em nome de seu sagrado direito de ir e vir:

>> Segundo Etienne Krug, diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada ano 8 milhões de pessoas morrem vítimas de acidentes de trânsito. Outras 20 milhões ficam feridas. “Esse numero poderia cair sensivelmente, caso a mobilidade fosse objeto de uma regulamentação globalmente mais rigorosa”, diz.

>> Para que a temperatura global seja reduzida em 3 graus centígrados, seria preciso que as emissões de CO2 fossem reduzidas pela metade. “Se fizermos isso até 2050, criaremos uma sociedade completamente diferente e muitíssimo mais humana.” A afirmação é de Björn Stigson, presidente do WBCSD, sigla em inglês para Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, um dos papas globais da sustentabilidade.

>> Se cada família chinesa tiver um carro, como sonha a maioria delas nesses tempos de prosperidade, o país abrigará em suas garages, ruas e estradas nada menos que 600 milhões de veículos, dobrando a frota que circula atualmente em todo o planeta. A projeção foi feita por Wan Gang, ministro chinês da Tecnologia e Pesquisa.

16/11/2007

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