Você já parou pra pensar quantas horas por dia gasta no trânsito? Eu perco, pelo menos, duas. Isso quando percorro só o inevitável trajeto casa-trabalho, trabalho-casa. É muito, muito tempo dentro de um veículo. Os automóveis estão virando uma espécie de segundo lar e já tem até livro que trata do assunto. É dentro do carro que, muitas vezes, você come, escuta música, lê jornal, fuma um cigarro, ouve as notícias diárias. Só falta mesmo usá-lo como dormitório. Pois bem. Muito me espanta que a indústria automobilística coloque mais e mais exemplares deles nas ruas, não bastasse o tráfego já caótico que enfrentamos hoje em grandes centros. Previsões de especialistas mostram que São Paulo deve parar em novembro de 2012, com 500 km de congestionamento.
Enquanto as empresas colocam pelo menos 700 novos veículos diariamente nas ruas paulistanas, a Índia anuncia que a montadora Tata Motors vai lançar, amanhã, o carro mais popular do mundo, pelo preço de US$ 2,5 mil, diz o The New York Times. É a indústria tornando cada vez mais acessível à população a compra do tão sonhado carro. A pergunta que fica é: o que vai ser do já confuso trânsito do país asiático, onde não há semáforos e a quantidade de motociclistas é assustadora?
No YouTube, uma pequena mostra do trânsito indiano
A comemoração em torno do bom desempenho da indústria automobilística não sai da mídia. Segundo o G1, foram produzidos no Brasil, no ano passado, exatos 2,972 milhões de veículos, volume anual recorde em meio século de instalação das montadoras no país. Com o resultado, o Brasil pode passar da oitava para a sexta posição no ranking mundial de fabricantes, ultrapassando Espanha e França. O que eu quase não vejo a imprensa noticiar é o que isso significa para o meio ambiente e para a saúde da população. Sim, porque o aumento de carros nas cidades é proporcional à quantidade de gás carbônico - um dos principais causadores do efeito estufa - despejado no planeta. Uma recente pesquisa da Universidade Stanford conseguiu isolar o dióxido de carbono atmosférico dos demais poluentes e ligá-lo, de forma direta, a um maior número de mortes no mundo, conta a Folha de S.Paulo. O raciocínio é simples: quanto mais CO2 na atmosfera, mais quente fica o globo e mais gente morre. O processo estaria causando a morte de 20 mil pessoas em todo o mundo por ano. Por essas e outras, pense bem antes de investir seu precioso dinheiro na compra de um novo automóvel.
Os entusiastas da sustentabilidade esperam que 2008 seja um ano ainda mais “verde” que o anterior.
2007 foi o ano em que a crise ambiental ganhou visibilidade no mundo todo. Passado o período de conscientização sobre o problema, espera-se que este seja o ano da ação – inclusive para as empresas que se dizem comprometidas com a busca de soluções.
A revista eletrônica Sustainable Life Media fez uma lista dos cinco temas que deverão ganhar força no mundo corporativo nos próximos meses:
>>> Cadeia de suprimentos A questão central da estratégia verde dos grandes varejistas deverá chegar a mais empresas. Independentemente da indústria, elas precisarão mostrar que são capazes de ser ambientalmente responsáveis em toda a cadeia de negócios – das compras dos fornecedores até o descarte dos produtos. Aspectos como o ecodesign e a redução de emissões de gases do efeito estufa nas etapas de produção e transporte devem ganhar importância.
>>> Empreendedorismo 2007 foi o ano em que surgiram novos negócios relacionados às tecnologias limpas – e novos investidores interessados em financiá-los. O movimento deve continuar.
>>> Marketing e publicidade A sustentabilidade chegou à propaganda e empresas de todos os setores estão aproveitando a onda para se apropriar do tema. Mas falar apenas não adianta – diante de consumidores mais conscientes, a mensagem precisa ter relevância. O marketing verde exigirá esforços das agências de publicidade e até mesmo dos veículos de comunicação, que também precisarão se mostrar comprometidos com o tema, na prática.
>>> Tecnologia da informação A indústria de TI também está sendo chamada a dar sua contribuição, por meio de equipamentos que consumam menos energia e que facilitem a comunicação a distância nas empresas.
>>> Varejo Os varejistas precisarão encontrar a equação ideal entre sustentabilidade e preço – o que significa que deverão se tornar mais verdes sem que isso se traduza em produtos mais caros para o consumidor. Espera-se que as novidades não fiquem somente no campo das sacolinhas ecológicas.