Cynthia Rosenburg, editora-executiva de Época NEGÓCIOS, e a repórter Aline Ribeiro discutem nesse espaço sustentabilidade e empresas.
 
 
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Desconfiança no ar

Em janeiro de 2007, a revista americana Business Week publicou uma
reportagem de capa a respeito do crescente interesse das empresas sobre sustentabilidade. Naquele momento começava a ficar claro, dizia o texto, que cuidar de questões ambientais e sociais poderia ser bom para o negócio. (Depois da Business Week, diversas revistas mundo afora, incluindo Época NEGÓCIOS, fizeram matérias de capa e cadernos especiais sobre o assunto, dando início a uma verdadeira onda verde na imprensa mundial.)

Um ano depois, os editores da Business Week parecem um tanto desconfiados em relação ao tema. Numa lista de dez prognósticos para 2008, a revista aponta uma possível “crise verde”. Veja:

“Haverá uma revolta no movimento verde depois que ficar claro que muitas companhias que alegam ser ambientalmente responsáveis, na verdade, não o são. Empresas que proclamam ser 'carbono neutro' perceberão que isso já não provoca muita reação entre consumidores e veículos da imprensa cada vez mais céticos".

Veja aqui as demais previsões.

2008 começa com um certo ar de desconfiança a respeito do quão longe irão as empresas que, do ano passado para cá, passaram a defender a causa verde. Mensagens vazias serão, cada vez mais, um tiro no pé. O comprometimento do mundo corporativo, afinal, é para valer? É o que vamos descobrir nesses próximos meses.

(Cynthia Rosenburg)

15/01/2008


Consciência ou puro modismo?

Basta uma volta no quarteirão para notar que as sacolas de pano – sejam elas coloridas ou sóbrias, modernas ou tradicionais - estão na moda. Tem para todos os gostos e estilos. Dia desses, andando pela avenida Paulista, cruzei com, pelo menos, dez delas. As sacolas de pano, ao contrário do que parece, não são fruto de uma nova tendência do mundo das passarelas. O incentivo ao uso tem – ou deveria ter – relação com o meio ambiente. A idéia é que elas substituam as tradicionais sacolinhas plásticas, feitas de material derivado do petróleo (recurso não renovável) e distribuídas nos supermercados, livrarias ou padarias.

Mas até que ponto essas bolsas ecológicas estão sendo usadas para ajudar o planeta? Nas ruas, o que mais se vê são as pessoas desfilando com uma nos ombros e, nas mãos, um bocado das velhas e boas sacolas de plástico. Afinal, as bolsas "verdes" são normalmente fashion e descoladas. A despeito de serem estilosas, muitas pessoas usam as sacolas de pano porque está na moda, também, ser ecologicamente correto. Lutar por alguma causa, seja ela qual for, agora é cool.

Paralela a essa discussão, tem ainda a polêmica de se as sacolinhas plásticas são mesmo vilãs do meio ambiente. Enquanto uns argumentam que são ruins por serem feitas de um recurso não renovável, outros defendem que elas sempre têm mais de uma utilidade. Depois de usadas, viram de saco de lixo a porta-lingeries dentro de malas de viagens. Na China, elas não são nada bem-vindas,
como mostra o site da BBC. O governo de lá anunciou na semana passada o veto à distribuição de qualquer tipo de sacola de plástico em estabelecimentos comerciais a partir de junho. Por aqui, enquanto nada é feito, os brasileiros continuam andando na moda – a das passarelas e a da consciência ecológica.

(Aline Ribeiro)

14/01/2008


Tata, a Índia e o meio ambiente

Mal o grupo indiano Tata anunciou o lançamento do carro mais popular do mundo, os ambientalistas já começaram a chiar (o que mostra que eles estão atentos para o problema comentado por Aline Ribeiro, minha nova parceira neste blog, no post anterior).

Depois que o empresário Ratan Tata declarou que produziria um veículo para os consumidores da base da pirâmide – que deverá custar a metade dos modelos mais baratos hoje disponíveis no país – outras empresas, como a Bajaj Auto, decidiram seguir seus planos.

Especialistas em meio ambiente estão preocupados com essa nova corrida pelo carro barato na Índia, segundo uma reportagem do Financial Times. Os principais motivos seriam as normas indianas relacionadas às emissões de poluentes, ainda frágeis, e a poluição nas cidades. Das 90 cidades indianas que têm seus níveis de poluição monitorados pelas autoridades, mais da metade atingem patamares considerados críticos.

Ratan Tata se defende dizendo que o novo carro “não será mais poluente do que uma motocicleta”.

O caso indiano revela o tamanho do desafio que a mudança climática coloca para a indústria automobilística e também o nó das discussões sobre base da pirâmide. Como incluir bilhões de pessoas no mercado consumidor sem prejudicar o meio ambiente?

Leia mais sobre o carro da Tata.

(Cynthia Rosenburg)

10/01/2008

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