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| Cynthia Rosenburg, editora-executiva de Época NEGÓCIOS, e a repórter Aline Ribeiro discutem nesse espaço sustentabilidade e empresas. |
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Democracia e sustentabilidade
A democracia surgiu como um novo tema nas discussões sobre sustentabilidade. No próximo dia 18 acontecerá em Londres um debate sobre o assunto envolvendo a consultoria SustainAbility e organizações como The Environment Foundation e The 21st Century Trust. O pano de fundo é a seguinte questão: a transição para o desenvolvimento sustentável acontecerá baseada num modelo democrático? O tema é difícilimo e foi pouco explorado até aqui. A pergunta é: há outra alternativa?
(Cynthia Rosenburg)
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11/03/2008 |
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Empreitada verde
A Coca Cola parece ter entrado numa nova empreitada em busca de ter sua imagem associada à sustentabilidade. No último mês, pincei da mídia internacional três notícias que apontam para essa direção.
1 – O Museu da Coca Cola, em Atlanta (Estados Unidos), acaba de ganhar um atestado de que suas instalações causam menos impacto ao meio ambiente. O edifício “verde” recebeu a certificação Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), uma das mais conceituadas do mundo, emitida pela U.S. Green Building Council (USGBC). O “prêmio” foi concedido porque o prédio, segundo reportagem do Sustainable Life Media, é feito de materiais recicláveis e tem consumo reduzido de energia e água.
 Museu da Coca em Atlanta, USA, ganha certificação de prédio verde
2 – A companhia quer reciclar e reusar todo o alumínio das latas vendidas nos Estados Unidos. A nova meta expande o objetivo inicial da Coca Cola, anunciado em setembro passado, de reciclar 100% das garrafas PETs que coloca no mercado.
José Mauro de Moraes, diretor de Meio Ambiente da empresa no Brasil, comentou a matéria que fala sobre a reciclagem de alumínio.
“Desde 1996, nós possuímos o programa “Reciclou, Ganhou”, que já beneficiou 5 mil entidades e, hoje, apóia técnica e materialmente 37 cooperativas de catadores em 24 estados. A experiência nos ensinou que a forma mais efetiva de aumento da reciclagem é o apoio às cooperativas. Com a publicação de norma da Anvisa autorizando a produção de embalagens PET para alimentos a partir de resina PET reciclada, que deve acontecer até junho, a expectativa é que a reciclagem de PET cresça entre 10% e 15% assim que as primeiras fábricas comecem a produzir. Isso será muito positivo para toda a cadeia da reciclagem, pois com a maior demanda, o preço da garrafa PET usada subirá, favorecendo os catadores."
3 – A empresa está lançando uma campanha de marketing no valor de US$ 10 milhões, focada na idéia do bem-estar sustentável. A nova série de propagandas inclui dimensões ambientais e sociais, depois de os consumidores expressaram o interesse crescente em ações da companhia relacionadas à sustentabilidade.
(Clique aqui e leia uma entrevista com Katie Bayne, CMO da Coca Cola)
(Aline Ribeiro)
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11/03/2008 |
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A China e a sustentabilidade – I Uma manchete no Estado de S. Paulo de ontem chamou minha atenção: “China busca desenvolvimento limpo”. Na reportagem, a jornalista Cláudia Trevisan conta que o governo chinês acaba de anunciar uma série de medidas com o objetivo – bastante ambicioso – de mudar o padrão de desenvolvimento do país. Em linhas gerais, trata-se de restringir o investimento e a oferta de crédito a setores poluentes, intensivos no consumo de energia ou que tenham excesso de capacidade de produção. Segundo o jornal, o primeiro-ministro Wen Jiabao chegou a afirmar em discurso que o país deve “dar prioridade à qualidade, mais que à velocidade do desenvolvimento, e acelerar o aperfeiçoamento do padrão de desenvolvimento econômico”.
É uma notícia e tanto. O crescimento econômico da China transformou o país numa potência global, mas resultou também em degradação ambiental. Segundo um relatório da ONU, 16 das 20 cidades mais poluídas do mundo estão na China. O país é um dos maiores emissores de CO2 do planeta, seus rios estão poluídos e há histórias de famílias em cidades do interior que já gastam quase um terço da renda mensal com a conta de água. Doenças provocadas pela poluição provocam mortes em várias regiões. Recentemente ouvi o seguinte comentário de um colega que acabava de voltar de lá: “A poluição é tanta que voltei da viagem doente. Quando você entra no país, precisa responder a um questionário para comprovar que tem boa saúde. O questionário deveria ser aplicado na saída: você certamente estará pior do que quando chegou.”
Será que a China está mesmo acordando para a questão ambiental? Um sinal positivo vem de algumas empresas chinesas. Neste ano, a Global Leadership Network (uma associação entre a ONG inglesa Accountability e o Boston College que tem como objetivo ajudar grandes companhias a implementar estratégias de responsabilidade corporativa) terá a participação de 15 empresas chinesas. Elas participarão de discussões sobre os riscos e as oportunidades que questões relacionadas à sustentabilidade trazem para seu negócio. “Isso seria inimaginável poucos anos atrás”, diz Joe Sellwood, diretor da GLN. “Com o forte interesse das empresas chinesas em desenvolver suas próprias marcas internacionalmente – e considerando as expectativas do governo de que as companhias abordem os desafios sociais e ambientais – está se criando um momento oportuno na consideração de sustentabilidade.”
Joe diz que as empresas brasileiras devem ficar atentas a esse movimento. “Será interessante observar, dentro do GLN, como empresas brasileiras e chinesas do mesmo setor vão analisar seus negócios.”
A China e a sustentabilidade – II
Joshua Wickerham é especialista em China na Accountability. Mora em Pequim. Pedi a Joshua alguns comentários sobre como a crise ambiental está sendo vista lá. Veja o que ele diz:
>>> “Há uma tendência crescente de normas ambientais mais rígidas e muitas empresas estão vendo sua lucratividade ameaçada pela primeira vez. Algumas fábricas, especialmente no sul industrial, estão mudando para locais menos restritivos, como o Vietnã. As empresas precisam inovar para lidar com as novas restrições.”
>>> “Cidades e províncias da costa leste – as regiões mais desenvolvidas do país – vêm restringindo projetos poluentes há alguns anos, e isso provocou uma mudança de muitas indústrias para o oeste menos desenvolvido. A China do leste está transferindo a poluição para o oeste.”
>>> “O país baniu as sacolas plásticas e isso foi uma inovação. A partir de junho, as sacolas mais finas terão sido banidas e as lojas cobrarão uma taxa pelas mais grossas. A maior fabricante de sacolas plásticas da China fechou suas portas, dizendo que seu mercado havia evaporado.”
(Cynthia Rosenburg) |
07/03/2008 |
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