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| Cynthia Rosenburg, editora-executiva de Época NEGÓCIOS, e a repórter Aline Ribeiro discutem nesse espaço sustentabilidade e empresas. |
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Carro: o vilão da vez
A sobrevivência do transporte público – e a conseqüente melhoria do trânsito – depende, principalmente, de restringir os carros em determinados pontos da cidade. É o que defende Eric Ferreira, doutor em Engenharia dos Transportes e dono de currículo extenso quando o assunto é mobilidade. “Existe uma relação direta entre o crescimento das vendas de automóveis e a redução do uso de trens, ônibus e metrô”, afirma ele, que já foi diretor do Institute for Transportation and Development Policy (ITPD), entidade que estuda alternativas sustentáveis de transporte em todo o mundo, e presidente do Instituto de Energia e Meio Ambiente.
Ferrenho crítico dos automóveis, ele mostrou hoje, durante “1º Fórum Nossa São Paulo – Propostas para uma Cidade Justa e Sustentável”, que o transporte público na Região Metropolitana de São Paulo – assim como em diversos países europeus – vem perdendo espaço. Em 1967, somente 32% da população da cidade usava carros. Em 2002, o percentual de usuários do transporte individual subiu para 53% (veja esses e outros dados nos quadros abaixo).
O especialista diz acreditar que, mesmo com a melhoria dos transportes de massa, as pessoas não vão usar ônibus e trens com maior freqüência. “É uma grande mentira quando alguém afirma que deixaria seu carro na garagem caso o sistema público funcionasse. Podemos ver isso em outras partes do mundo.”


 (Aline Ribeiro) |
15/05/2008 |
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São Paulo tem salvação?
Só mesmo um movimento radical, abraçado pela sociedade civil, governo e iniciativa privada, é capaz de transformar metrópoles como São Paulo em cidades mais justas e sustentáveis. É o que mostram experiências apresentadas nesta sexta-feira (16/5), durante o segundo dia do 1º Fórum Nossa São Paulo, por representantes de cidades latino-americanas como Bogotá, Medellín, Santiago, Buenos Aires, Lima e Assunción.
Apesar das diferentes nuances, a essência dos projetos dessas metrópoles é mesma: fazer com que a população entenda o funcionamento da máquina pública e, a partir daí, deixá-la livre para atuar, reivindicar. A fórmula, que abusa do nacionalismo e da democracia, está sendo repetida em cidades de diversos países, mas teve início em Bogotá, capital da Colômbia. O ano era 1997 e a realidade da metrópole, mais crítica do que a encontramos por aqui.
Não bastassem os pífios investimentos em saúde, educação, saneamento e transporte – somados à baixa auto-estima da população bogotana – a capital colombiana enfrentava uma insolúvel guerra civil entre o Exército, paramilitares de direita e guerrilheiros de esquerda. Nesse contexto, surgiu o movimento “Bogotá, cómo vamos?”, uma forma de reverter o descaso dos governantes em relação às contas da cidade e fazê-los cumprir as promessas de campanha. Baseado no preceito de que a qualidade de vida melhora à medida que os cidadãos se envolvem com a cidade, o movimento disponibilizou em um site todos os indicadores da capital e fez com que a população acompanhasse sistematicamente como andava Bogotá. As pessoas passaram a cobrar ações concretas do governo e os resultados foram surpreendentes: a taxa de homicídios baixou de 80 por cem mil habitantes em 1993 para 18 por cem mil em 2006. As mortes no trânsito caíram pela metade até 2002 e a arrecadação de impostos da prefeitura triplicou (mais de 65 mil famílias pagaram voluntariamente 10% a mais do total do IPTU, por ter a opção de escolher onde o dinheiro seria aplicado).
Carlos Córdoba, coordenador do “Bogotá, cómo vamos?”, falou à Época NEGÓCIOS sobre o movimento e sua viabilidade em grandes metrópoles como São Paulo.
Época NEGÓCIOS - Até que ponto a transformação ocorrida em Bogotá pode acontecer em cidades com dimensões da de São Paulo? Carlos Córdoba – As cidades da América Latina, apesar de serem diversas, têm problemas muito parecidos: baixa adesão à educação, saúde de pouca qualidade, altas taxas de homicídio. Existem indicadores que mostram se os municípios estão indo bem ou mal, e isso é obrigação de todas as prefeituras, independentemente se a cidade tem 100 mil ou 11 milhões de habitantes. Todas têm a responsabilidade de medir como andam seus serviços e mostrar à população. A partir daí, o cidadão pode cobrar.
EN – Quais foram os principais desafios do movimento ao longo desses 10 anos? Córdoba – A primeira coisa é não perder o caráter cidadão, apartidário, neutro. Nós acompanhamos os projetos municipais e precisamos ser isentos nesse processo. Alguns deles não são nada populares e temos de questionar o governo sobre o por que das ações. Já se o projeto agradar, é necessário ficar de olho da mesma forma. Deve haver um acompanhamento sistemático dos indicadores e das atividades públicas.
EN – Como você avalia a evolução do “Nossa São Paulo” – movimento apartidário, inspirado no “Bogotá, cómo vamos?”, com ações voltadas à capital paulista (clique aqui para saber mais) – neste primeiro ano de existência? Córdoba – Está nascendo muito bem. Em pouco tempo, conseguiu uma boa projeção e já mostra uma mobilização da cidadania e do mundo político. É muito importante que o movimento se concentre em poucas tarefas, mas tarefas de muito impacto. Eles estão bastante fortes na interlocução com os candidatos à Prefeitura de São Paulo, discutindo temas relevantes para o desenvolvimento da cidade. Recentemente, conseguiram aprovar uma importante emenda à Lei Orgânica do município, segundo a qual os candidatos são obrigados a apresentar um programa de governo detalhado para todo o mandato, que seja compatível com o programa eleitoral e baseado em indicadores, metas e prestação de contas anuais.
(Aline Ribeiro) |
16/05/2008 |
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Efeito dominó
A Femapri, uma pequena empresa de Guarulhos com foco na produção de embalagens de plástico, é um bom case de como o mercado, principalmente o internacional, está de olho nas questões ambientais – e provoca mudanças ao exigir uma postura diferenciada de seus fornecedores e parceiros. No ano passado, a companhia transformou radicalmente seu negócio depois que a cliente Lenny, empresa de Lenny Niemeyer que fabrica biquínis e maiôs, solicitou o desenvolvimento de uma embalagem 100% verde para comercializar seus produtos no exterior.
As exigências eram diversas: de tinta e zíper atóxicos à utilização de plástico reciclável. Depois de muita pesquisa e algumas parcerias com fornecedores (a tinta, por exemplo, não estava disponível no mercado para o plástico daquela espessura), os donos conseguiram entregar o produto alinhado ao pedido. “A embalagem foi e voltou várias vezes, até que acertamos”, diz Mauricio Antonio da Silva, diretor comercial da empresa.
A sacada da empresa hoje é mandar o plástico que sobra do processo de produção para uma fábrica que o transforma novamente em plástico. Além de não poluir o meio ambiente e economizar recursos naturais, os benefícios são comprovados na ponta do lápis. “O reaproveitamento representa economia de cerca de R$ 10.000 por mês.” Das 6 toneladas de plástico compradas, 1,8 tonelada (mais de 20%) vira sucata e é beneficiada. O desafio futuro da Femapri é, segundo Silva, fazer com que as embalagens vendidas pela empresa retornem do consumidor final para a fábrica, via correio ou malote empresarial. A inquietação ecológica, inicialmente para agradar a um cliente, virou praxe na companhia e ajudou a atrair novos compradores, como Petrobras e Osklen, além de exportar para outros países.
(Aline Ribeiro) |
19/05/2008 |
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