Cynthia Rosenburg, editora-executiva de Época NEGÓCIOS, e a repórter Aline Ribeiro discutem nesse espaço sustentabilidade e empresas.
 
 
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No alvo, as multinacionais

As organizações que batalham pelo avanço da agenda da sustentabilidade nas empresas deverão ficar de olho, daqui para a frente, nas companhias multinacionais. O motivo: com o avanço da globalização, há uma preocupação crescente em relação às práticas dessas companhias mundo afora.

“Muitas multinacionais têm compromissos globais relacionados à sustentabilidade, mas com freqüência a implementação fora da matriz deixa a desejar”, disse hoje, em São Paulo, Georg Kell, diretor executivo do Pacto Global. (O
Pacto Global é uma iniciativa da ONU voltada para a adoção, no meio empresarial, de princípios de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. Possui cerca de 5,2 mil organizações signatárias em mais de 100 países.)

Kell participou, no início desta semana, da reunião do conselho consultivo internacional do Instituto Ethos. Também participaram do encontro representantes de organizações como Accountability, GRI e SustainAbility. No fim da reunião, Oded Grajew, um dos fundadores do Ethos (hoje à frente do Movimento Nossa São Paulo), sugeriu às organizações participantes que elas trabalhem juntas para monitorar o trabalho das multinacionais. “É uma tarefa difícil, porque essas empresas têm enorme resistência em discutir o que fazem em nível local”, disse. “Mas é um tema cada vez mais importante e que pode unir nossas organizações.”

Oded chegou a sugerir um tema específico para o início desse trabalho: a responsabilidade das multinacionais do setor de petróleo e da indústria automobilística na melhoria da qualidade do ar em países como o Brasil. Nos últimos meses, o Nossa São Paulo vem discutindo o nível de enxofre no diesel brasileiro. “A concentração permitida no Brasil está muito acima da recomendável”, diz Oded. Empresas como Petrobras e Shell estão sendo pressionadas pelo movimento para resolver a questão (que será, inclusive, debatida durante a Conferência do Ethos, que começou hoje.) “A Shell afirma em seu relatório global de sustentabilidade que o nível de enxofre no diesel é zero, mas isso não vale para o Brasil”, diz ele.

Essa história do diesel, aliás, ainda vai dar o que falar.


(Cynthia Rosenburg)

27/05/2008

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